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Rímel: a máscara para os cílios |
15/10/2004 |
A máscara para os cílios, cuja
aplicação data dos tempos bíblicos, é o cosmético mais comumente
usado para os olhos. A máscara original usada pelas mulheres de
muitas civilizações antigas era o Kohl, baseado no trissulfeto
de antimônio. A finalidade das formulações modernas do rímel é
escurecer, alongar e espessar os cílios.
Formulação
O rímel deve ser formulado cuidadosamente para permitir a
aplicação fácil e homogênea sem borrar, irritar ou causar
toxicidade. A Lei da US FD&C proíbe cores com alcatrão da hulha
para uso nos cílios. Portanto, os colorantes do rímel devem ser
selecionados de cores vegetais ou de pigmentos inorgânicos e
lacas. As cores empregadas incluem o óxido de ferro para
produzir negro, azul ultramarino para criar o azul-marinho e
umbra ou siena queimada ou óxido castanho sintético para criar o
marrom.
A máscara líquida é a formulação moderna mais popular. Podem ser
divididos em variedades aquosas, com solventes e híbridas, com
água ou solvente. Esses produtos são peculiares, pois são
aplicados a partir de um tubo automático de máscara, consistindo
em uma escova redonda, introduzida através de pequena abertura
para remover a quantidade dosada do produto.
As máscaras aquosas são assim chamadas porque são formuladas com
ceras (de abelha, de carnaúba, sintéticas), além dos pigmentos
(óxidos de ferro, óxidos de cromo, azul ultramarino, carmim,
dióxido de titânio) e de resinas dissolvidas em água. São
classificadas como emulsões de óleo em água. A água evapora
logo, criando um produto que seca rapidamente e que espessa e
escurece os cílios. O produto é hidrossolúvel, permitindo
remoção fácil, mas, infelizmente, borra com a transpiração e com
o lacrimejamento. Algumas máscaras aquosas podem ser rotuladas
"resistentes à água" se contiverem um aumento da quantidade de
cera ou um polímero que melhore a aderência dos pigmentos aos
cílios.
As máscaras aquosas são facilmente contaminadas por bactérias
que cresçam facilmente na água e devem incluir conservantes,
geralmente parabenos. Desta forma, esses produtos podem causar
reação alérgica em indivíduos que sejam sensíveis aos parabenos;
entretanto, as máscaras aquosas, em geral, são as menos
sensibilizantes. Alguns pacientes podem apresentar irritação por
contato pelos emulsificantes necessários para manter o pigmento
em solução.
As máscaras com solventes são formuladas com destilados de
petróleo aos quais se acrescentam pigmentos (óxidos de ferro,
óxidos de cromo, azul ultramarino, carmim, dióxido de titânio) e
ceras (de candelilla, de carnaúba, de ozoquerita, de óleo de
rícino hidrogenado), tornando-as à prova d'água. Em decorrência,
o produto tem bom desempenho com a perspiração e o
lacrimejamento, mas a remoção é difícil e requer loção ou creme
oleoso. Podem formar-se depósitos nos cílios se o produto for
removido incompletamente. Deve-se ter cuidado para evitar borrar
o produto imediatamente depois da aplicação porque as máscaras
com solventes têm um tempo de secagem prolongado.
Ainda são acrescentados conservantes às máscaras com solventes,
mas a contaminação microbiana não é grande problema, já que os
solventes baseados em petróleo são antibacterianos. Alguns
produtos também contêm talco ou caulim, para melhorar o
espessamento dos cílios, e náilon ou fibras de raiom para
alongá-los. As máscaras com solventes podem irritar o olho.
Algumas máscaras combinam sistemas com solventes e aquosos para
formar uma emulsão de água em óleo ou de óleo em água. A idéia é
criar um produto ótimo que espesse com um tempo curto de
secagem, como as máscaras aquosas, mas proporcione separação à
prova d'água dos cílios, como as máscaras com solventes. A água
na formulação requer incorporação de um bom sistema de
conservantes.
Reações adversas
As máscaras líquidas modernas vêm com um aplicador que é
introduzido no tubo a cada vez que se usa, dando numerosas
oportunidades para inoculação de bactérias na máscara. A reação
adversa mais temida com as máscaras é a infecção,
particularmente as infecções da córnea por Pseudomonas
aeruginosa, que podem destruir permanentemente a acuidade
visual. O Staphylococcus epidermidis e o Staphylococcus aureus
também podem proliferar nas máscaras contaminadas. As infecções
são mais comuns se o globo ocular for traumatizado pela máscara
infectada.
Embora as máscaras possuam conservantes, ainda é sábio desprezar
todos os tubos de rímel depois de 3 meses e não permitir que
múltiplas pessoas usem o mesmo tubo de rímel. Indivíduos com
infecções bacterianas recorrentes por colonização devem escolher
máscaras com solventes.
Os fungos também podem contaminar as máscaras e resultar em
infecção ocular. Isto é raro e geralmente só é encontrado em
pacientes imunocomprometidos ou que usem lentes de contato.
O pigmento contido nas máscaras pode resultar em pigmentação da
conjuntiva, se a máscara for levada para o saco conjuntival por
líquido lacrimal. Esse material particulado colorido pode ser
absorvido na margem superior da conjuntiva tarsal.
Histologicamente, o pigmento pode ser visto dentro de macrófagos
e no extracelular, com graus variáveis de infiltrado
linfocitário. A microscopia eletrônica sugere que a ferritina, o
carbono e os óxidos de ferro estejam presentes dentro dos
tecidos. Infelizmente, não existe tratamento para a afecção,
que, felizmente, costuma ser assintomática.
Relata-se dermatite de contato alérgica à rosina (colofonia) e
ao diidroabietil álcool (Abitol), contidos em algumas máscaras.
Pode-se fazer teste de contato aberto ou fechado, mas deve-se
deixar que sequem antes do teste de contato fechado para evitar
uma reação irritante pelo veículo volátil.
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