CICATRIZ- entenda um pouco....

04/06/2003

A cicatriz é o tecido novo que se forma durante o processo de cura de uma ferida. A natureza a utiliza como um meio para fechar as lesões do organismo quando não é possível a regeneração perfeita dos tecidos, que só existe em poucos tecidos humanos, como é o caso da epiderme. Assim, explica-se porque em uma queimadura de 1o  grau, com destruição somente da epiderme, a pele regenera-se completamente e não ficam marcas da lesão, enquanto após uma incisão cirúrgica, na qual a ferida provocada atinge toda a pele (epiderme + derme), tecido o subcutâneo e, eventualmente, camadas mais profundas, o resultado inevitável é uma cicatriz.

 É errado dizer que o cirurgião plástico remove a cicatriz aparente sem deixar marca. O que se pode esperar de um cirurgião competente é que ele tente obter a melhor cicatriz possível, o que depende de muitas variáveis.

 Há diferença entre “boa cicatrização”, e cicatriz “esteticamente boa”. “Boa cicatrização” é apenas a capacidade do organismo de fechar a ferida em tempo normal e se opõe à “má cicatrização”, que ocorre em organismo debilitado ou em paciente com desnutrição, causando demora no fechamento da lesão. Não tem nada a ver com o que os cirurgiões plásticos chamam de “boa cicatriz”, que é aquela pouco visível e portanto mais estética.

 O ideal estético é não existir nenhuma cicatriz. Trabalha-se em geral com o conceito de que haverá sempre uma cicatriz se a incisão cirúrgica for feita em qualquer local do organismo. Entretanto, procura-se conseguir uma que seja a mais fina, menos saliente, de cor mais aproximada com a da pele normal e que menos apareça, ou seja: os fatores responsáveis por uma cicatriz esteticamente melhor ou pior estão ligados à técnica aplicada pelo cirurgião, à área do corpo onde foi feita a operação, à idade, à raça e ao tempo decorrido desde a cirurgia.

 Cicatrizes nas pálpebras e face tendem a ser bem menos visíveis a médio prazo do que as no tórax e no abdome – isso no mesmo paciente. A idade é um fator importante também. Ao contrário do que se acredita, as cicatrizes nos idosos são muito menos aparentes que nos adultos e nestes menos evidentes do que nas crianças, quando são freqüentemente hipertróficas, embora se tenha a idéia de que a criança tem “boa cicatrização”. Há certa predisposição racial, pois negros e amarelos têm maior tendência a cicatrizes esteticamente piores, quando comparadas a brancos nas mesmas condições

 Deve-se levar em conta que a cicatrizes recentes são sempre aparentes, mas após algum tempo tornam-se melhores esteticamente. O conhecimento desses fatos é importante para informar os pacientes, evitando-se, assim, mal-  entendidos.

 O que realmente é uma cicatriz?

 A cicatrização é o processo biológico básico através do qual o organismo promove o fechamento da lesão de qualquer tecido, no nosso caso, do revestimento cutâneo. A cicatriz é a resultante do processo. A maioria dos autores divide a cicatrização normal em três fases: inflamatória, fibroproliferativa e de maturação.

 Após a fase inicial de inflamação, com presença de muitas células, entra-se na fase fibroproliferativa que se inicia no segundo ou terceiro dia, quando os fibroblastos produzem substância gelatinosa e várias proteínas, das quais a mais importante é o colágeno, uma proteína natural componente do chamado.
tecido conectivo que une os outros tecidos entre si.

 Na cicatrização, o colágeno vai sendo depositado na ferida, formando fibras que vão se tornando cada vez mais firmes, dando o aspecto típico da cicatriz, sobre a qual ocorre a migração e proliferação das células epiteliais das bordas da ferida, que promovem a regeneração da epiderme, fechando, assim, completamente a lesão.

 Na fase de maturação há progressiva diminuição do número dos vasos sangüíneos e dos fibroblastos. A redução na vascularização explica a evolução progressiva da cor da cicatriz, que passa do avermelhado para o branco. Há reorientação do colágeno que, inicialmente muito duro, amolece com o tempo, dando melhor qualidade tátil à cicatriz.

 A duração do processo de proliferação e de maturação é muito variável de indivíduo para indivíduo e, conforme o tipo de operação, o processo proliferativo dura, em média, cerca de três meses. A partir daí, com a maturação, chega-se ao aspecto final da cicatriz, seis meses a um ano depois da cirurgia.

Não se deve, portanto, falar em quelóide até que se passe esse tempo e nem se indica nenhuma reoperação antes desse período.