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Cabelo é um espelho do corpo humano |
12/12/2003 |
Cabelo é um
espelho do corpo humano, dizem cientistas

Pessoas ruivas como Kidman não devem pegar sol
Mariana Timóteo da Costa
O cabelo é o órgão mais ativo do corpo humano e pode ajudar
cientistas a desvendar segredos relacionados aos sistemas
imunológico, circulatório e nervoso.
É o que garantiram cientistas reunidos nesta sexta-feira em
Londres para o The Hair Affair, evento aberto ao público que
discutiu a "Ciência do Cabelo" na Royal Institution da
Grã-Bretanha.
Se antes o estudo dos fios de cabelo era limitado apenas à
cosmética, hoje cientistas vêem os cerca de 115 mil fios que
cada pessoa possui como um espelho do corpo humano.
O cabelo possui cerca de 20 tipos de células com as mais
variadas funções. Além de formarem os fios, essas células estão
ligadas a diversos sistemas do corpo humano - principalmente o
nervoso, o circulatório e o imunológico.
Células-tronco
"Por isso, quando uma pessoa não está saudável, o cabelo logo
apresenta mudanças em sua textura e forma", exemplifica Bruno A.
Bernard, que trabalha como pesquisador da multinacional L´Oreal.
Bernard explica que esse mosaico de células muito bem organizado
que é o cabelo vem despertando cada vez mais o interesse da
ciência.
Recentemente, por exemplo, descobriu-se que no cabelo existem
células-tronco, células sem uma função específica que são
capazes de se transformar em outras células do organismo.
"Isso é de grande valia para os cientistas, que podem estudar
facilmente o comportamento dessas células-tronco, apenas
arrancando um fio de cabelo", explica o cientista.
Ruivos
Jonathon Rees estuda fios de cabelos há mais de 20 anos e sua
maior especialidade é em cabelos ruivos como os da atriz Nicole
Kidman.
Responsável pela descoberta do gene que dá a pigmentação
vermelha ao cabelo (o MC1R), Rees tenta agora traçar a histórica
genética dos ruivos.
"Estamos descobrindo algumas coisas fascinantes. Hoje,
acreditamos que as pessoas ruivas são provavelmente as
pertencentes à etnia mais recente da humanidade. Elas teriam
surgido há cerca de 50 mil anos", conta Rees.
A teoria de Rees é que na África, onde o homem teoricamente
surgiu há cerca de 3 milhões de anos, uma pessoa ruiva não
poderia sobreviver por causa do sol.
"A coloração clara do cabelo e da pele só pode ter surgido
recentemente, quando o ser humano tomou conta das regiões mais
distantes do Equador possíveis", explica Rees.
Para os cientistas, os ruivos não teriam a menor condição de
sobreviver na África porque as pessoas de pele clara produzem
pouca melanina, que tem função fotoprotetora.
"O estudo da origem, da função e da fisiologia do cabelo pode
ajudar mais no entendimento do ser humano como um todo",
acredita o pesquisador.
BBC Brasil |
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