Uma forte
tendência mundial em produtos para cuidados dos cabelos é a
utilização cada vez mais freqüente de produtos colorantes, que
tem direcionado ao avanço da tecnologia cosmética aplicada a
diferentes sistemas de tinturas para os cabelos. O consumidor
tem ao seu alcance uma grande variedade de produtos no mercado –
tais como: tinturas permanentes, semipermanentes ou sistemas
temporários.
O mundo tem
sido caracterizado pelo envolvimento das cores, que são as
expressões fashion, tendências da moda, prazer relacionado ao
bem estar, manter-se atualizado, com tons vivos. Os consumidores
sentem uma necessidade especial em manter seus valores, ou seja,
fixação das cores por mais tempo, manter a aparência do novo em
função das freqüentes lavagens e tratamentos.
ORIGEM
DOS COLORANTES
Tingir os
cabelos é uma arte antiga, que remonta aos tempos dos faraós. Há
mais de três mil anos os egípcios foram os primeiros a
desenvolver a técnica de tintura de tecidos e de cabelos,
utilizando inúmeros corantes que extraíam da matéria animal e
vegetal. Estes mesmos corantes foram utilizados por muitas
civilizações no decorrer dos séculos, e mesmo até nos dias
atuais. E ainda estão ligados à Antigüidade que mesmo o som dos
seus nomes originais como “Camomila”, “Henna” e “Indigo”,
somente para citar alguns, transmitem uma aura de magia e
mistério(1).
Até o último
terço do século XIX, a coloração capilar era feita através de
mistura de plantas e compostos metálicos muito embora a primeira
tintura orgânica sintética o “Pirogalol” (1,2,3 –
Trihidroxibenzeno) ter sido observado pela primeira vez pôr
Scheele em 1786, somente foi isolado e identificado por
Bracconot em 1832 (22).
A COR
DO CABELO
Dois principais
tipos de pigmentos produzem a ampla gama de cores nos fios de
cabelo dos mamíferos: as eumelaninas (preta e marrom),
caracteristicamente insolúveis, e as feomelaninas, solúveis em
álcalis e que variam da cor amarela até marrom avermelhado.
Estes dois grupos de pigmentos são produzidos, sob controle
genético, em melanócitos na camada basal da raiz dos cabelos. Os
grânulos de melanina são transferidos para os queratinócitos
circundantes à medida que migram da matriz para a haste do
cabelo.
• EUMELANINAS:
Quimicamente, as eumelaninas são polímeros que consistem
principalmente em 5,6-di-hidroxiidol (DHI) e, em menor
quantidade, de 5,6-di-hidroxi-indól-2-ácido carboxílico (DHICA),
ligados através de vários tipos de ligações carbono-carbono.
Outras unidades, presentes em proporções menores, incluem 5,6-di-hidroxi-indól
semi-quinona e pirrol carboxilado. Esses elementos menores
provavelmente decorrem da fissão parcial de indóis pelo peróxido
de hidrogênio formado durante a melanogênese.
• FEOMELANINAS:
Muito menos se sabe sobre a estrutura geral das feomelaninas,
que incluem diversos pigmentos de diferentes estruturas e
composições. As que foram investigadas mais extensamente são
aquelas encontradas nos fios de cabelo amarelo-avermelhado e nas
penas das galinhas. Em termos amplos, as feomelaninas
caracterizam-se por complexa mistura de polímeros que contêm
alta porcentagem (10-12%) de enxofre, apresentando-se
principalmente em unidades de 1,4-benzo-tiazinil-alina unidas
aleatoriamente através de vários tipos de ligações. Esse mesmo
tipo de unidade estrutural é encontrado nos tricocromos,
moléculas muito menores em estrutura, de composição bem
definida, e também encontradas no cabelo vermelho. As principais
unidades estruturais das melaninas estão descritas na Figura 01.

FIGURA 01 - Unidades Estruturais das Melaninas
• OXIMELANINAS:
No homem e em outros mamíferos, no entanto, são encontrados
pigmentos amarelos ou avermelhados que não contém enxofre e que,
portanto, são quimicamente distintos dos materiais descritos
acima. Foi sugerido que esses pigmentos, de cor semelhante à das
feomelaninas fossem, na verdade, eumelaninas branqueadas,
surgidas da clivagem peroxidante parcial de unidades de 5,6-di-hidroxi-indól.
Por este motivo, o nome ideal para estes pigmentos é oximelanina.
São pigmentos formados, in vivo, por mecanismo similar à
descoloração do cabelo pelo peróxido de hidrogênio, que há muito
tempo é usado como tratamento cosmético para clarear a cor
natural dos fios de cabelo(2-7).
PORQUE
COLORIR OS CABELOS
Atualmente
estima-se que 40 a 45% das mulheres dos países industrializados
consumam produtos colorantes. E as principais razões são:
Tendência da
moda: A cor dos cabelos tem importante impacto nas interações
sociais e podem despertar fortes respostas emocionais. Muitas
vezes, reflete nosso relógio biológico.
Mascarar as
alterações Fisio-Cronológicas: O cabelo loiro e castanho
freqüentemente é mais claro na infância, escurecendo durante a
adolescência até a idade adulta. Algumas formas de cabelo
grisalho têm relação com fatores nutricionais e podem ser
prontamente revertidas pela mudança dietética; mas, o
encanecimento natural que ocorre com a idade, parece estar de
alguma forma relacionado com a exaustão irreversível da enzima
formadora de melanina, a tirosinase. Embora algumas pessoas
comecem a ficar com o cabelo grisalho já aos 20 anos, na maior
parte dos casos isso acontece mais tarde. A época de ocorrência
desse processo é determinada geneticamente. A conseqüente perda
da cor dos cabelos preocupa muitas pessoas quase quanto à
calvície. À vontade de mascarar as mudanças de cor que
acompanham o envelhecimento é uma das razões pelas quais as
pessoas de todas as idades mudam a cor dos cabelos.
O
PROCESSO DE COLORAÇÃO E O SEU PARADOXO
Há
aproximadamente um século, o desenvolvimento da ciência da
química orgânica sintética disponibilizou inúmeras tinturas
novas mais eficientes. Atualmente, muitos corantes são
superiores àqueles que podem ser extraídos de substâncias
naturais, o que é evidenciado pelas diversas cores que
conhecemos. Mas há um problema com relação à tintura de cabelo
humano, um paradoxo: a porção externa do cabelo humano, ou
cutícula apresenta inúmeras camadas de escamas interligadas;
caso se deseje que a cor não saia do cabelo ou não seja
facilmente lavada, as moléculas do corante devem penetrar na
cutícula e serem absorvidas pelo córtex. No entanto, diferente
dos tecidos, que podem ser tingidos em temperaturas altas e por
muitas horas, o cabelo humano deve ser tingido em temperatura
ambiente, com período de aplicação relativamente curto.
Portanto, para que as moléculas penetrem na cutícula do cabelo
humano, elas devem difundir muito rapidamente. Isto significa
que as moléculas que constituem as tinturas de cabelo devem ser
pequenas. Contudo, para colorir o suficiente e ser utilizada
como corante, a molécula deve ser relativamente grande: Este é o
PARADOXO. Embora pareça uma situação impossível, há pelo menos
quatro diferentes soluções para o problema, e cada solução dá
origem a um tipo diferente de produto colorante para os cabelos.
Os processo de
coloração dos cabelos são baseados em sistemas oxidativos,
iônicos, metálicos ou reativos. Estes são classificados como:
• Sistema
Permanente ou Oxidante:
São formados
por substâncias intermediárias ou precursoras de cor e
acopladores. As substâncias intermediárias funcionam como
corantes apenas depois de oxidadas (H2O2), ligando-se aos
acopladores e produzindo a cor desejada. O processo baseia-se
portanto em reações de precursores - pigmentos, que ocorrem no
interior da fibra capilar sob condições específicas , estas
reações geralmente ocorrem em meio alcalino (amônia) pH 8 a 10,
Figura 02. A amônia promove a tumefação e abertura das cutículas
facilitando a absorção dos corantes e do peróxido de hidrogênio.
Ajustando as proporções de oxidante (H2O2), precursores e
acopladores, pode-se obter tonalidades mais claras ou escuras.

FIGURA 02 – Mecanismo de Sistema de Coloração
Permanente.
Os corantes
precursores são derivados da Anilina, Figura 03. Os precursores
são di-funcionais orto ou para-diaminas ou amino-fenóis que são
oxidados para diimina p-quinona.

FIGURA 03 – Ex. de Corantes Precursores utilizados em
Colorações para Cabelos.
Estes produtos,
em geral, proporcionam abertura demasiada das cutículas,
necessária para otimizar a absorção dos corantes pelo córtex,
como conseqüência deste mecanismo, há diminuição da maciez,
brilho, aumento do esforço necessário para pentear, atributos
indispensáveis e desejados em um cabelo saudável. A Figura 04
apresenta a imagem da fibra de cabelo submetida ao tratamento
por sistema de coloração permanente(29).

FIGURA 04 – Micrografia de Cabelo Submetido a Coloração
Permanente : (a) Imagem MEV, 1000X, 10kV; (b) Imagem MEV, 5000X,
10kV; (c) Imagem MEV, 10000X, 10kV.
• Sistema
Semi-Permanente
Outra solução
ao grande paradoxo da tintura de cabelo envolve o uso de
moléculas de tamanho intermediário. Um número relativamente
pequeno de materiais apresenta tamanho molecular suficientemente
pequeno para penetrar no cabelo, embora ainda sejam grandes para
serem usadas como tinturas. Alguns exemplos são dados na Figura
05.

FIGURA 05 – Exemplos de Corantes utilizados em Tinturas
Semi-Permanentes.
Uma
peculiaridade que pode ser observada nas estruturas acima é que
se para cada cor há dois corantes que podem ser utilizados, um
de peso molecular relativamente baixo e outro significativamente
maior, Figura 06. Isto, como será aplicado, não é uma simples
coincidência. Neste momento, deve-se entender que estes corantes
realmente penetram na cutícula do cabelo e são depositados no
córtex. Eles não são removidos com uma simples lavagem com água
e não sofrem o efeito fricção, como ocorre com os corantes
temporários serão descritos posteriormente. Contudo, como estes
corantes são bem pequenos para se difundir através da cutícula
para o córtex, é provável que eles retornem novamente para fora,
e a utilização de xampus os remova gradualmente. Em geral, eles
saem do cabelo com cinco ou seis aplicações de xampus, o brilho
acaba e o cabelo cinza começa a aparecer, sendo necessário
reaplicar o produto. Como estes corantes não são verdadeiramente
permanentes, nem são completamente removidos com uma ou duas
lavagens com xampu, eles são denominados semipermanentes.
Estes produtos,
também, de forma geral, proporcionam abertura das cutículas,
necessária para otimizar a absorção dos corantes pelo córtex,
como conseqüência deste mecanismo, há diminuição da maciez,
brilho, aumento do esforço necessário para pentear, atributos
indispensáveis e desejados em um cabelo saudável.

FIGURA 06 – Mecanismo de Sistema de Coloração
Semi-Permanente.
• Sistema
Temporário
Uma das
soluções para o paradoxo acima é ignorar totalmente o problema,
isto é, usar corantes que apresentem moléculas grandes em sua
composição, demasiadamente grandes que não podem atravessar a
cutícula do cabelo sob condições normais. Corantes como esses,
normalmente são muito grandes para penetrar a cutícula do
cabelo. Os produtos de tintura de cabelo que usam tais corantes
geralmente são aplicados por processo de deposição. Deixa-se a
solução de corante secar sobre o cabelo e os corantes se
depositam sobre a superfície da cutícula – Figura 07.

FIGURA 07 – Mecanismo do Sistema de Coloração Temporária.
Algumas
desvantagens importantes também estão associadas às tinturas
temporárias: os corantes são removidos pelo uso de xampu, e até
pela simples humectação dos cabelos. A exposição à chuva pode
transferir o corante para as roupas ou pode mesmo colorir a
pele; o corante pode até manchar superfícies como roupas de
cama.
OS
MECANISMOS FÍSICO-QUÍMICOS
Muitas
investigações têm sido feitas em cabelos danificados:
descoloridos, permanentados, submetidos a estresse térmico.
Beyak(25) estabeleceu que ambos os tratamentos por descoloração
ou permanentes podem resultar na perda de 20% das propriedades
mecânicas.
Robbins e
Kelly(26,27) estudaram a alteração da composição química dos
amino ácidos e encontraram mudanças para cabelos descoloridos e
permanentados. Estes danos têm sido estudados primariamente por
análises das propriedades das fibras, métodos por difusão de
corantes, composição de amino ácidos, propriedades mecânicas,
sendo os danos da superfície da fibra visualizados por
microscópia eletrônica de varredura.
Os efeitos dos
danos fotoquímicos nos cabelos causados pela exposição a
radiação solar ultravioleta A e B foram estudados por Robbins e
Bahl(28) que mostraram a redução das propriedades mecânicas das
fibras expostas a radiação ultravioleta, segundo este autor a
redução é causada pela degradação química das cadeias protéicas,
especialmente a ligação S-S atribuídas ao aminoácido cistina.
De acordo com o
mecanismo de fotólise proposto por Tolgyesi(28), cistina,
tirosina, fenilanina e resíduos de triptofano absorvem radiação
ultravioleta resultando na formação de radicais livres. Segundo
este autor a cisão homolítica das ligações dissulfídicas ocorre.
A melanina, o pigmento natural da fibra, promove a proteção
parcial da cor natural do cabelo, esta age de maneira a se
sacrificar em proteção a ligação dissulfídica, desta forma
ocorre a descoloração da cor natural da fibra.
Gonzenbach(17)
et al., desenvolveu um estudo comparativo do comportamento de
dez diferentes filtros solares na proteção dos cabelos de cor
natural, preto e loiro. Segundo o autor o processo de
descoloração do cabelo preto é detectável somente, após 300
horas de exposição a radiação solar, continuando até 600 horas.
Para cabelos naturais de coloração loira, o processo de
descoloração se torna significante após 300 horas seguindo até
1200 horas de exposição a radiação solar. Este estudo demonstrou
que os filtros solares podem efetivamente reduzir os danos
relacionados a perda protéica provocada pela radiação
ultravioleta A e B, mas não em relação a proteção dos corantes
sintéticos depositados na fibra do cabelo.
Pinheiro,
S.A.(2-5) et al., caracterizou os danos provocados por ação de
produtos descolorantes através de microscopia eletrônica de
varredura em conjunto com a microscopia de força atômica,
segundo o autor, as técnicas citadas são efetivas para
caracterizar a substantividade de produtos cosméticos.
Percebe-se
através das literaturas publicadas (07-29) poucos estudos,
relacionados à proteção da cor dos cabelos tingidos,
relacionados à manutenção e fixação dos corantes orgânicos
sintéticos promovidos pelos produtos colorantes disponíveis no
mercado.
A KosmoSCIENCE
tem estudado de forma sistemática os mecanismos de degradação da
cor dos cabelos tingidos: seus efeitos quando expostos a
radiação ultravioleta A e B, além dos efeitos de fricção-abrasão
causados pelos tratamentos diários provocados por xampus,
condicionadores, creme de tratamento e creme de pentear seguidos
pelo processo de secagem e escovamento.
Para maiores
informações entrem em contato com o canal técnico direto H&C/KosmoSCIENCE,
ks@kosmoscience.com
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