A face é
uma zona do corpo sobre a qual os indivíduos concentram
grande parte das suas preocupações estéticas.
A espessura da pele naquele local é mais fina e apresenta
uma maior capacidade de absorção para qualquer produto que
seja ali aplicado.
A enorme concentração de glândulas sebáceas e a sua
atividade são fundamentais na definição do tipo de pele:
oleosa, seca ou mista. Daí parte-se para os cuidados.
Há 10 anos, não era assim, mas hoje tanto homens como
mulheres procuram com freqüência os produtos cosméticos. Os
números continuam a pender maioritariamente para o sexo
feminino (75% da procura), mas o marido ou o namorado já
começa a acumular mais produtos na casa de banho.
O chamado «T facial» (zona que compreende os sobrolhos e que
se prolonga até ao queixo) é a área mais oleosa, em que o
problema mais comum é o da dermite seborréica: pele
inflamada e em constante descamação.
«Aquele quadro clínico depende de diversas condições
ambientais que interagem na predisposição individual,
geneticamente determinada», diz o Dr. José Campos Lopes,
presidente do Grupo Português de Dermatologia Estética e
Cosmética.
Depois há ainda outras patologias registadas freqüentemente.
Nos mais jovens a acne é, sem dúvida, a maior dor de cabeça.
Mas existe também o eczema, que se divide em dois grandes
grupos: o eczema atópico e aquele que tem origem em causa
externas, como é o exemplo da alergia ao níquel, que pode
afetar, as orelhas e as pálpebras.
«O eczema pode dever-se a alergia aos cosméticos, sendo
incriminados os conservantes, fragrâncias ou mesmo
princípios ativos», defende o nosso entrevistado.
Entre os 40 e os 50 anos, é freqüente a procura do médico
por outras razões: manchas de pele, sinais e, em última
análise, patologias tumorais que podem eventualmente surgir.
Por isso, na área da cosmética existem soluções para atenuar
ou mesmo debelar estes problemas. Nos casos focados, olhemos
primeiro para a acne. Um dos efeitos negativos dos
tratamentos para esta patologia é o de secar a pele.
Desta forma, José Campos Lopes aconselha a que «de manhã é
indispensável hidratar a pele, mas com cremes sem gordura, o
que inclui também a maquilagem a usar no dia-a-dia». Esta
medida estende-se aos protetores solares utilizados no
Verão.
Por outro lado, os produtos de lavagem são importantes na
acne, porque têm exatamente o efeito de eliminar as gorduras
que subsistem na pele, aliando a esse fato uma ação
«desinfetante».
«Anulam a agressão das bactérias que contribuem para a
acne», salienta o dermatologista.
Igualmente, o uso de shampoos e cremes seboreguladores
hidratantes diminui a produção de sebo, o agente que provoca
a inflamação da pele.
No eczema, o melhor é optar peles chamados cremes «neutros»,
que constituem um complemento ao tratamento médico. A
descamação é melhorada pela hidratação da zona atingida, até
por uma questão de conforto.
O conceito de cosmética tem sofrido algumas alterações ao
longo do tempo. Atualmente a ação destes produtos é mais
diversificada e complexa e já ultrapassa o efeito na camada
superficial da pele.
Há uma expressão que define esta nova geração de cosméticos:
os especialistas preferem chamar-lhes cosmacêuticos.
Nas palavras de José Campos Lopes, um cosmacêutico «está num
plano intermédio, aproximando-se mais de um medicamento. É
um produto cosmético, mas que já tem algo de farmacêutico,
isto é, um ou mais princípios ativos, com objetivos
terapêuticos determinados».
A especificidade do cosmacêutico assenta nas suas
propriedades: contém substâncias ativas que funcionam a um
nível mais profundo, para além da superfície da pele,
demonstrando capacidades como a regeneração de células, a
supressão de manchas cutâneas, permitindo adiar o
envelhecimento. Mas é preciso ter em atenção que existe,
como em tudo na vida, o reverso da medalha, como explica o
nosso interlocutor:
«Se os produtos cosméticos se tornaram mais agressivos, no
sentido de mexerem com outros fatores que não somente a
camada superficial da pele é preciso que as pessoas tenham
consciência de que também estes produtos são potencialmente
mais perigosos.»
Este médico salienta ainda a subjetividade patente nos
produtos que dizem ser hipoalergênicos: «Essa é uma falsa
questão, até porque as alergias variam de indivíduo para
indivíduo. É impossível provar se um determinado produto vai
ou não provocar alergia numa pessoa. O que os fabricantes
procuram é utilizar substâncias que estatisticamente terão
menos probabilidade de ser alergisantes.
Contra
o envelhecimento
Os produtos existentes podem enquadrar-se essencialmente em
3 grupos:
· Derivados da vitamina A
· Vitamina C
· Ácidos
de frutos
Estas
substâncias permitem a regeneração de células, o chamado
peeling (remoção de células mortas), oferece ainda colágeno
que redimensiona a textura da pele, sendo importante o
fornecimento de fibras elásticas.
A
importância da proteção solar
Este é um fator que faz parte da luta contra o
envelhecimento, bem como do cancro da pele. Muitos produtos
de uso diário já incluem na sua composição substâncias de
proteção ao efeito dos raios ultravioleta.
Os protetores solares aparecem tanto isoladamente, como em
leites, cremes, ou mesmo em maquiagem.
O fator de proteção a utilizar varia consoante o fenótipo do
indivíduo, sendo que as peles mais claras e com abundância
de sinais devem usar fatores mais altos.