Os
olhos são o espelho da alma e as pálpebras sua moldura.
Existem vários meios de manter as pálpebras mais jovens e
retardar a cirurgia plástica. Por isso, o tratamento deve
ter início por volta dos 30 anos. Nessa idade, é comum os
pacientes deixarem de usar óculos após cirurgia a laser e
observarem, com mais detalhes, as pequenas rugas, os
pés-de-galinha, o excesso de pele nas pálpebras superiores e
as famosas bolsas de gordura nas inferiores. Este conjunto é
bastante incômodo e marca o começo do envelhecimento facial.
Plástica
Ocular
Não
desanime! Hoje é possível acompanhar as alterações com um
especialista que entenda de olhos e de rejuvenescimento
óculo-facial ao mesmo tempo. É isso mesmo! Existem
oftalmologistas que cuidam de problemas palpebrais e, no
meio médico, a especialidade é conhecida como Plástica
Ocular.
Trata-se
de uma área da oftalmologia bastante especial, pois as
pálpebras não são uma extensão da pele sobre os olhos e sim
um tecido extremamente fino e delicado, contendo estruturas
nobres, com a função principal de proteger o globo ocular.
Logo abaixo da pele das pálpebras existem músculos
responsáveis pela abertura e fechamento palpebral. Mais
profundamente, estão os olhos e seus músculos
extra-oculares, responsáveis pela visão e pelos movimentos
oculares. Portanto, é imprescindível que nenhum paciente
corra riscos ao submeter-se a um tratamento estético de uma
região tão nobre e conhecida da face. Uma complicação ocular
freqüente, após tratamentos abusivos na região das pálpebras
e que pode ser evitada, é o olho seco. Os sintomas são
irritação ocular, ardor, sensação de areia nos olhos,
dificuldade de exposição à luz, sol e vento. A soma desses
fatores provoca um lacrimejamento reflexo pela irritação
ocular e até mesmo uma leve turvação visual. Apesar de
paradoxal, observamos este tipo de queixa no consultório e
devemos estar alertas aos problemas oculares que poderão
surgir ao longo de um tratamento cosmetriátrico.
Após uma
cirurgia refrativa com laser para correção da miopia ou
hipermetropia e astigmatismo, os olhos tendem,
temporariamente, a se tornarem mais ressecados e as córneas,
mais sensíveis. Porém, passado o pós-operatório de 6 meses,
os pacientes podem procurar um especialista para avaliação e
orientação da condição óculo-palpebral para início do
rejuvenescimento.
É
importante ressaltar que, ao iniciar qualquer tipo de
tratamento estético na região das pálpebras, a preocupação
maior deve ser sempre em relação à saúde ocular. Aos médicos
é obrigatório medir a visão antes de qualquer procedimento,
realizar um exame por microscopia na lâmpada de fenda,
analisar quantidade e qualidade de lágrima, avaliar a real
quantidade de pele que poderá ser retirada, se o problema é
pelo excesso de pele nas pálpebras superiores ou também é
devido à queda dos supercílios. Finalmente, avaliar a real
necessidade de remoção das bolsas de gordura e pele das
pálpebras inferiores. Ao realizar estes exames com detalhes,
o profissional indicará o melhor tratamento para cada caso.
A prevenção de complicações oculares ainda é a melhor
maneira de atingir o resultado desejado. Nota-se que o exame
pré-operatório é tão importante quanto o próprio
procedimento a ser realizado.
Qual o
melhor procedimento?
Depende
de cada caso. Na última década, houve avanços fantásticos na
área de cosmeatria através de excelentes cremes anti-rugas,
anti-oxidantes e anti-olheiras. Além disso, é possível
atingir o rejuvenescimento com tratamentos periódicos, como
a toxina botulínica (botox) que promove o relaxamento das
rugas dinâmicas, e aplicações de ácido hialurônico, que
preenche os sulcos faciais mais profundos, atenuando ou
eliminando algumas marcas da pele. Por fim, sob orientação
dermatológica, dependendo do caso e do tipo de pele,
indica-se, um peeling na região periocular a ser tratada com
resultados rejuvenescedores fantásticos.
Quando é
indicada a cirurgia plástica das pálpebras?
Nos casos
em que há excesso de pele na região palpebral e/ou bolsas de
gordura bastante proeminentes. A quantidade de pele a ser
ressecada deve ser precisa e simétrica bilateralmente para
que, após o procedimento, os olhos, além de bonitos, possam
ser ocluídos normalmente.
A
novidade mais difundida e utilizada pelos plásticos oculares
é a técnica cirúrgica em que os bolsões de gordura são
removidos pela via interna das pálpebras inferiores sob
anestesia local e sedação. Neste procedimento é utilizado um
material cirúrgico que cauteriza os vasos sangrantes, ao
mesmo tempo em que as bolsas de gordura são removidas. A
vantagem é que não há necessidade de pontos e não há incisão
na pele. Estes fatores contribuem para que os hematomas
sejam pequenos e o volume do inchaço no pós-operatório seja
menor, com um tempo de recuperação mais rápido.
Vale a
pena enfatizar que cada caso deve ser acompanhado de forma
personalizada. Como envolve uma região nobre do corpo
humano, estes pacientes devem ser assessorados em todos os
momentos, lembrando que a meta principal, além da beleza, é
a de manter a integridade do globo ocular e de suas funções.
* Dr.
André Luís Borba é doutorando em Oftalmologia/Plástica
Ocular pela USP, Chefe do Serviço de Plástica Ocular
da UNISA, Especialista em Plástica Ocular e
Rejuvenescimento Óculo-Facial pela Universidade da
Califórnia em Los Angeles – UCLA e Membro da
Sociedade Brasileira de Plástica